Por Nadja el Balady

 

A Dança do Ventre é, para muitas mulheres, a porta de entrada para um mundo interior delicado e feminino, coberto pelo véu da cultura ocidental e inatingível àquelas que não se permitem viver em plenitude.

Quando do mergulho na cultura oriental, tudo para nós se torna mágico e revelador, nos parece que rompemos com invisíveis barreiras e que beiramos as margens do rio da liberdade. Retomamos o contato ancestral do ventre que é livre, dos pés descalços e da alma que se expressa através da dança.

O que vamos descobrir ao longo dos anos de estudo em dança do ventre é que ela pertence a uma cultura, e que como toda cultura, impõe regras. Tem regras

 

para entender a música, saber a roupa certa, diferenciar o folclore do clássico, regras para dançar os ritmos, entender os estilos, acessórios corretos, maquiagem correta, enfim...

Um oceano de informações que enriquecem e acrescentam à arte da bailarina e que a torna uma transmissora e cumpridora destas regras (com toda a criatividade que lhe é permitido!), à medida que vai se profissionalizando e acaba por se afastar das primeiras sensações de liberdade total e completa do início de sua jornada rumo ao mundo mágico da Dança do Ventre.

O Estilo Tribal vem preencher esta lacuna de liberdade criativa, e permitir novamente que a mulher se lance ao mistério oriental, retorne ao passado e ao mesmo tempo se entregue ao futuro. Não sem motivos o Estilo Tribal se tornou uma nova referência estética de dança, figurino e música. Esta nova estética permite a fusão de diversas etnias e assim expressar melhor a ancestralidade presente em cada um. E também sua modernidade, desde que traga o arquétipo do coletivo, do ritualístico e do poder feminino na criação.

E isto, sem (finalmente!) ofender a cultura de ninguém, pois não se trata de movimentos tirados de uma só dança, nem de conceitos referentes a nenhum povo específico, dando liberdade para que as artistas ampliem seu vocabulário gestual, utilizando também técnicas ocidentais e dêem vazão ao seu gosto pelo exótico e alternativo.

Este é o espaço também das tatuadas, dos piercings, dos dread locks e dos cabelos curtos.

Para citar Sharon Kihara (Bellydance Superstars) em sua recente passagem pelo Brasil, no fantástico 2º Encontro Internacional Bele Fusco, desde a criação do “ATS” (American Tribal Stile), na década de 60, até as fusões recentes do tribal com outras linhas estéticas de dança, o que encontramos no Estilo Tribal são “mulheres unidas para realizar algo muito poderoso juntas, transformando a si mesmas e as sociedades que as cercam, através da cultura.”

E isto explica tudo.

 

Um mergulho no Tribal:

Jamila Salimpour – Criadora do Tribal Stile, propriamente dito, a primeira fusão tribal, inspirado em danças folclóricas do mundo árabe, combinadas à diversas danças étnicas de países variados do oriente.

 

ATS: American Tribal Stile – Estilo de tribal mais divulagado em todo o mundo, criado por Carolena Nericcio, diretora do grupo Fat Chance Belly Dance. Tem como características principais o improviso e apresentações dinâmicas de grupo.

 

Tribal Fusion - Estilo moderno, expandindo os elementos desenvolvidos no ATS, com apresentações solos e desenvolvimento coreográfico. Introduz movimentos de hip hop, street dance e break. Muitas profissionais deste estilo fazem sua preparação corporal baseadas em Yoga.  Jill Parker pode ser considerada pioneira deste estilo.

 

Principais nomes do mundo Tribal

Fat Chance Belly Dance

Rachel Brice

Saharon Kihara

Zoe Jakes

The Indigo – Cia de dança com Rachel e Zoe

Bellydance Superstars – Cia de Dança do Ventre com participação de núcleo tribal com Rachel, Sharon, entre outras.

Kajira Djoumana – United we Dance

 

Principais nomes do Tribal no Brasil

Shaide Halim – Criadora do Estilo Tribal Brasileiro, e da Cia Halim, pioneira do estilo no Brasil

Mahaila Diluzz – Difundidora do estilo no Rio Grande do Sul e criadora do estilo World Dance

Kilma farias – Difundidora do estilo em João Pessoa – PB

Jhade Sahrif – Pioneira do estilo no Rio de Janeiro

Nadja el Balady – Pesquisadora do estilo de Fusão Afro

Nanda Najla – Difunde largamente o Tribal Fusion em belo Horizonte - MG

Topo